terça-feira, 21 de dezembro de 2010

A história de Farnel Yuri - Parte 3 (Final)

Farnel acordara cedo naquela chuvosa manhã. Mostrou-se duvidoso ao abandonar Sara para ir ao encontro de Guthô, mas realmente tal sacrifício se mostrava necessário. Pegou seus pertences, subiu em um cavalo e rumou em direção ao rio.

Farnel cavalgava em um cavalo marrom a toda velocidade. Alcancou o rio rapidamente, ao chegar, desceu do cavalo para um rápido descanso e bebeu um pouco de agua, o cavalo fez o mesmo. Passados alguns instantes, iniciou a maior parte da jornada rio acima. A chuva deixava o caminho sinuoso, com obstáculos ocultos, o cavalo de Farnel escorregava em alguns pontos, patinava em algumas pedras mas conseguia transpor os obstáculos.

Após longo período de jornada, Farnel avistou uma fumaca ainda de longe. Já desconfiando ser o bando de Guthô, desceu do cavalo e decidiu continuar a pé. A chuva estava diminuindo e o sol ja ensaiava aparecer. Farnel seguiu caminhando sob o solo umido e escorregadio. Todo cuidado agora era pouco, qualquer barulho poderia alertar o bando de Gutho. O plano de Farnel era destruir somente Guthô, para isso, deveria chegar próximo a Guthô sem ser notado e com isso fazer uso de sua espada. Farnel avançava e confirmou que realmente o grupo de Guthô estava a frente.

Um barulho a frente fez com que Farnel empunhasse sua espada, era um sentinela de Guthô. Silenciosamente Farnel avançou e quando já estava bem próximo do sentinela viu que seu plano de matar somente Guthô nao seria executado perfeitamente. Uma luta começou contra o sentinela, a espada de Farnel reluzia ao encontrar o escudo do habilidoso sentinela. Farnel esquivava dos golpes mortais. Quando o sentinela levantou a espada para atacar fortemente, Farnel esperou a espada descer e com isso, o Sentinela empenhou toda a forca possivel para ser um único golpe. Farnel agachou, segurou o golpe com seu escudo e instantaneamente revidou o ataque com sua espada, atingindo o sentinela de baixo para cima,um golpe fatal, atravessando o abdomen do pobre guerreiro. Farnel deixou o guerreiro no chao, nao houve lamentação, seu ódio o dominava. Continuou a avançar.

Em instantes avistou o acampamento de Guthô, encostou em uma árvore e esperou Guthô sair de sua cabana para confirmar o alvo. Guthô surgiu sob o seu olhar e imediatamente Farnel recorreu a sua besta, que sempre o acompanhava pendurado em seus ombros. Armou a besta com cuidado, o alvo estava a frente, não pestanejou, puxou o gatilho. A flecha passou muito perto, mas foi um tiro errado. Guthô se assustou e imediatamente deu o comando a seus soldados para revistarem toda a área. Em instantes, Farnel foi pego. Arrastaram-no para Guthô e um diálogo foi iniciado:
- O que faz aqui? Perguntou Guthô
- Vim recuperar o que é meu! Farnel respondeu.

Guthô virou para o soldado que segurava Farnel e com um sinal de cabeça ordenou sua execução. Farnel sentiu a morte de perto, fechou os olhos e ouviu um grito, uma flecha atingira o pescoço de seu carrasco. Ao virar para trás, viu alguns homens sairem da mata em direção ao bando de Guthô. Farnel muito confuso procurou reconhecer quais homens seriam esses. Farnel levantou, pegou sua espada que estava sob uma pedra próximo a uma fogueira e seguiu em direção a Guthô.
- Guthô, estou aqui para lhe desafiar! Eu lhe desafio! Gritou Farnel.
- Não preciso aceitar desafios, não me importo com a honra, apenas com minhas terras. Respondeu Guthô.

Farnel iniciou uma corrida contra Guthô, abateu um soldado com um só golpe que entrou em sua frente para proteger Guthô. Os olhos de Guthô transpareciam medo, mesmo assim, Guthô sacou sua espada. Iniciaram a luta. Farnel, muito habilidoso, empunhava sua espada e investia sobre o escudo de Guthô. Farnel não tirava os olhos do inimigo, exceto por uma visão de Sara, no meio dos homens que estavam atacando o bando de Guthô.
- Sara, saia daqui! Gritou Farnel.
- Não posso! Lhe acompanhei durante a jornada com os homens do meu acampamento, vi que havia sido capturado, tive que agir! Sara respondeu.

Guthô percebeu o vínculo entre os dois, abandonou a luta e capturou Sara. Farnel ordenou para que Guthô soltasse Sara, que a luta era apenas entre eles. Guthô, respondendo negativamente, colocou a espada no pescoço de Sara e gritou:
- Todos os nômades, tenho um de vocês aqui, ordeno que saiam imediatamente.

Os nômades imediatamente deixaram as espadas de lado, muitos nesse momento foram abatidos pelos inimigos. Os que sobraram se renderam. Farnel estava encurralado, Guthô iniciou um diálogo.
- Agora quem fala sou eu. Farnel, se queres a tua amiga viva, ordeno a você e a esses guerreiros nômades que abandonem o campo e volte para a floresta.

Todos os guerreiro voltaram para a floresta, Farnel começou a andar em direção a floresta, de forma a passar perto de Guthô. Guthô afroxou a espada no pescoço de Sara, Farnel percebeu. Ao passar próximo a Guthô, Farnel com a espada e a cabeça abaixada virou apenas os olhos e fixou o alvo. Farnel usou sua espada contra a perna de Guthô, Sara aproveitou o momento de sofrimento de Guthô e se afastou rapidamente. Guthô estava no chão, sem uma de suas pernas. Os guerreiros de Guthô pareciam não acreditar no que viam. Farnel se aproximou de Guthô e disse:
- Agora quem fala sou eu. Ordeno que você e seus guerreiros saiam de minhas terras. Caso contrário, sua vida terminará aqui.
- Essas terras são minhas, respondeu Guthô. Num gesto suícida, pegou um punhal e tentou acertar Farnel.

Farnel antecipou o golpe e fincou sua espada no peito de Guthô, um golpe fatal. Ordenou para os guerreiros de Guthô que fossem embora.

Os nômades apareciam de volta, saindo da floresta. Farnel em um gesto de boa vontade agradeceu os nômades e como recompensa pela ajuda ofereceu parte de suas terras, oferta que não foi aceita pelos nômades dado o seu princípio de vida. Sara era uma delas, mas disposta a se fixar em um lugar para acompanhar Farnel, despediu de seus companheiros. Farnel se juntou a Sara, e disse:

- Agora podemos viver em paz em minhas terras, venha comigo, vou lhe mostrar o quão belas elas são.
E lado a lado seguiram caminhando sob os campos, a paz voltava a reinar sobre as terras de Farnel Yuri.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A história de Farnel Yuri - Parte 2

Sono agora seria um sentimento dificil de ser revisitado por Farnel. Já próximo da metade da noite, solitário na frente da fogueira, cujo o estalar do fogo se propagava no silêncio da escuridão, deixava seus pensamentos sobre a batalha perdida. A noite era longa, quase infinita... Farnel comparava cada minuto com cada estrela a brilhar no céu! Seu sofrimento parecia aumentar a cada instante! Olhava para seus soldados dormindo e lembrava que cada um tinha uma família, uma terra e uma vida a cuidar, não queria que seus soldados vivessem o que ele estava vivendo nesse momento e tomou uma decisão. Ao encostar em um tronco, adormeceu inconscientemente.

- Acorde Senhor, já providenciamos nossa refeição matinal, dizia um de seus soldados.

Farnel levantou meio tonto, seus olhos ardiam pois seu corpo precisava de mais descanço mas não deixou se abalar. Prontamente se compôs juntamente com suas vestes e foi de encontro a refeição próxima a fogueira, onde todos seus soldados estavam reúnidos. Uma neblina espessa compunha a paisagem selvagem, tudo estava úmido e esbranquiçado, o sol havia se levantado a pouco e por isso, seus raios ainda não assolavam o acampamento. Aproveitando a reunião informal, Farnel pediu a atenção de todos:

- Meus caros soldados, irmãos de luta, aproveito o momento para agradecer a cada um de vocês, que lutaram com garra e dedicação ao meu lado, saibam que sou grato. Porém, sei que cada um possui uma luta própria, uma cruzada a trilhar e, portanto, estou aqui por dispensar-lhes. Ordeno que cada um siga sua vida, independente, e que conquistem a vitória pessoal de vocês e de vossas famílias.

Os soldados não sabiam o que pensar, mas jamais questionariam uma ordem de Farnel Yuri, um respeitado e idolatrado líder. Acabaram a refeição matinal e cada um tomou seu caminho. Um a um antes de partir passava por Farnel e o reverenciavam, seguido de um forte abraço. Quando o último se foi, Farnel se viu na solidão e agora mais do que nunca, estava tranquilo para pensar no  que ia fazer.

Caminhou até um riacho que serpenteava entre rochas brancas, agachou e bebeu um pouco de agua. Ao pegar a água cristalina em sua mão se assustou com o reflexo impresso sob o espelho da água. Uma linda mulher, passou como uma sombra por trás das pedras, Farnel mal a viu mas pode reparar a incrível beleza dos seus traços. Como um gesto de guerra, Farnel levantou rápidamente e disparou atrás da mulher. Ao chegar ao encontro do alvo, Farnel conseguiu segurá-la pelo braço e imediatamente pediu para que não tivesse medo. Após recuperar o folego, Farnel iniciou o diálogo:

- Senhorita, desculpe-me o mal jeito, mas gostaria de lhe conhecer. Não pude permitir que tamanha beleza fugisse do meu alcance. Qual é o seu nome?

A senhoria, já mais calma, aparentava aproximadamente 25 anos, portava roupas brancas, com uma saia até o joelho e mangas curtas. Seu corpo moreno, cabelos pretos, anelados e olhos verdes, mais claros que a água, após demonstrar um sorriso e uma certa simpatia aceitou o dialogo.

- Qual o seu nome ? Por que me seguiu ? Perguntou a senhorita, ainda meio sem folego.
- Meu nome é Farnel Yuri, e como já disse, lhe segui pois me apaixonei por sua beleza e agora, gostaria de me apoixonar pela sua pessoa, retrucou Farnel.
- Meu nome é Sarah.
- Sarah, podemos caminhar um pouco juntos ?

E Sarah aceintando a proposta se alinhou ao lado de Farnel e foram andando rio abaixo. Ambos se conheciam através do diálogo que interessava a ambos. Era um lindo dia, que combinava com a conversa agradável e o sorriso sincero. Foram muitas horas de conversas. Quando se assustaram o dia já estava acabando e a noite começava a surgir. Farnel através do diálogo descobriu que Sarah era nômade, seus familiares não tinham uma moradia fixa, e como Farnel também não tinha mais a sua terra, pediu para que acompanhasse Sarah para o acampamento de sua família. Sarah abalada com a história de Farnel, assentiu imediatamente.

Era um acampamento bem estruturado, haviam em torno de 30 famílias, cada um detinha uma barraca. Ao chegarem ao acampamento já estava escuro e pode-se perceber as tochas demarcando a área das barracas. Sarah correu para sua família e apresentou Farnel a todos. Como gesto de boa receptividade foi oferecido um jantar a Farnel, onde ele pode explicar toda a sua história para os familiares de Sarah.
Após a longa história, Farnel se dirigiu ao pai de Sarah e demonstrou suas intenções com Sarah. Seu pai, a princípio resistente com a rápida e tórrida paixão, pediu a Farnel cautela mas que quem tinha o poder da decisão era Sarah. A jovem senhorita, mostrando uma invejável firmeza, disse a seu pai que acompanharia Farnel. Diante da resposta de Sarah, Farnel tomou a palavra:

- Sarah, obrigado por me aceitar, farei o melhor para lhe servir. Porém, preciso de resolver um problema, e você sabe qual é.

Dito isso, uma só imagem surgiu na mente de Farnel, a imagem da conclamação de Guthô Isnul.

- Mas Farnel, não acha melhor esquecer este assunto? Perguntou Sarah com toda sua sensatez feminia.
- Não, minha querida Sarah. Dê-me dois dias, resolverei o assunto e venho lhe buscar para sermos felizes.

Sarah aceitou, mas já temia pelos fatos que aconteceria nestes próximos dois dias. O jantar findou e todos se recolheram aos simples, mas confortáveis aposentos. A exceção foi Farnel, que ficou próximo a fogueira já fazendo os planos para a vingança. Estava iniciada a vingança sobre Guthô.

Farnel não queria causar mais nenhuma morte além da morte de Guthô, criou um plano audacioso, certeiro. Findada a elaboração do plano, Farnel usou o resto da noite para descansar, pois ao amanhecer, colocaria em prática seu plano. Mal sabia Guthô que a partir daquele momento, seu destino estava traçado. 

domingo, 5 de dezembro de 2010

A história de Farnel Yuri - Parte 1

Uma linda manhã, a paísagem era formada por um campo coberto de verdes gramínias e no fim desse campo, uma encosta cercada por árvores floridas que lembravam os adoráveis ipês amarelos. O céu estava com uma coloração azul claro, com poucas e pequenas nuvens. Os passáros cortavam o céu com voos alegres, se divertiam inundando de vida a paisagem, assim como pequenos mamíferos no solo. Era sem dúvida a visão do paraíso, porém, em alguns minutos essa visão estaria prestes a se modificar.

Sons de tambores surgiam, ainda quase que imperceptíveis aos ouvidos humanos, de ambos os lados do campo. Sons esses que iam aumentando com o passar dos segundos. Em poucos minutos a paisagem já tinha se modificado completamente, os animais por pressentirem o mal já batiam em retirada e o campo já estava ocupado.

De um lado, um exército formado por aproximadamente quinhentos homens, que eram liderados por Farnel Yuri. Farnel era um jovem de aproximadamente trinta anos, identificado por um elmo dourado, assim como seu escudo e espada. Sua armadura prateada reluzia os brilho do sol daquele lindo dia. Juntamente com seu majestoso cavalo marrom, bem adestrado formavam aparentemente uma só criatura. Junto daquele exército estava erguida uma flâmula com um brasão que alternavam as cores entre o verde e vermelho.

Farnel Yuri era o detentor daquelas terras, havia herdado as mesmas do já falecido pai, e estava disposto a dar a vida para defendê-las dos prováveis invasores que se posicionavam do lado oposto do campo.

A visão do lado oposto do campo era similar, aproximadamente quinhentos homens se posicionavam, cobertos de desejo em se conquistar um novo e fértil território. Seu líder era conhecido por inúmeras invasões e era chamado por Guthô Isnul. Guthô isnul já beirava seus quarenta anos de idade, vestia uma armadura cinza, quase que completamente fosca. Seu elmo possuia o mesmo tom acinzentado juntamente com seu escudo.

Com os exércitos alinhados, Farnel tomou as rédeas de seu cavalo e cavalgou para o centro do campo, juntamente com dois escudeiros. Tal ação foi repetida instantaneamente por Guthô Isnul. Ao chegarem no centro do campo, Guthô tomou a iniciativa do diálogo:
- Estimado Farnel, venho a este campo com o objetivo de conquista. Como é de vosso conhecimento, meu exército é invencível, já triunfamos por mais de cento e trinta batalhas, sendo que, esta de hoje, será apenas mais uma conquista. Sugiro que ordene que seu exército desocupe imediatamente este campo, e com isso, você garantirá as vidas de seus homens.

Farnel, respondeu ironicamente:
- Guthô, viestes de outras terras com o objetivo de tirar minha posse ? Se esta for realmente sua intenção, vamos a batalha.

Diante do curto diálogo, ambos voltaram para seus exércitos sedentos por acabarem aquele impasse rapidamente. Farnel, dotado de extrema confiança, ao chegar junto de seus liderados ordenou que atacassem imediatamente. Guthô ao ver o ataque do inimigo, não vacilou e também disparou a ordem de ataque.

Ambos os exércitos corriam em direção ao centro do campo de batalhas. Em alguns minutos os primeiros soldados começaram o confronto. O exército de Farnel era dotado de mais técnica, porém as tropas de Guthô sobravam em força. Espadas reluziam os raios de sol, escudos eram destruídos, juntamente com vidas perdidas. O campo previamente coberto de verde agora estava coberto por sangue. Farnel lutava bravamente para expulsar o exército de Guthô, que não parecia se abalar.

Várias horas de batalha se estendiam, a fraqueza já começava a aparecer, de forma brutal. A fraqueza exposta em um campo de batalha se resume em morte. Ambos os exércitos já manifestavam tal sentimento, porém, o exército de Guthô, já habituado a conquistas e invasões se mostrava mais sólido. Farnel, preocupado com seus homens e já aceitando a derrota anunciou a retirada. Cavalos e homens corriam em todas as direções, fugindo do destino cruel. Guthô percebendo a movimentação diminuiu o rítmo de seus golpes e de seus comandados. Com o sol já quase se pondo, so haviam homens do exercíto de Guthô sobre o campo. Guthô excitado conclamou a vitória com seus homens:
- Eu, Guthô Isnul, declaro nossa vitória sobre as terras de Farnel! Podemos agora, meus nobres soldados, limparmos o campo e montarmos nosso acampamento. A noite teremos comemoração!

Farnel, do alto de uma encosta situada no fim do campo, juntamente com o que sobrou de seus homens, aproximadamente cinquenta, conseguiu visualizar a conquista de Guthô e a sua conclamação sob o pôr do sol. Com isso, se sentiu reduzido a pó e prometeu a si mesmo, a reconquistar a sua própria terra que agora pertencia a Guthô.