quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

A história de Farnel Yuri - Parte 2

Sono agora seria um sentimento dificil de ser revisitado por Farnel. Já próximo da metade da noite, solitário na frente da fogueira, cujo o estalar do fogo se propagava no silêncio da escuridão, deixava seus pensamentos sobre a batalha perdida. A noite era longa, quase infinita... Farnel comparava cada minuto com cada estrela a brilhar no céu! Seu sofrimento parecia aumentar a cada instante! Olhava para seus soldados dormindo e lembrava que cada um tinha uma família, uma terra e uma vida a cuidar, não queria que seus soldados vivessem o que ele estava vivendo nesse momento e tomou uma decisão. Ao encostar em um tronco, adormeceu inconscientemente.

- Acorde Senhor, já providenciamos nossa refeição matinal, dizia um de seus soldados.

Farnel levantou meio tonto, seus olhos ardiam pois seu corpo precisava de mais descanço mas não deixou se abalar. Prontamente se compôs juntamente com suas vestes e foi de encontro a refeição próxima a fogueira, onde todos seus soldados estavam reúnidos. Uma neblina espessa compunha a paisagem selvagem, tudo estava úmido e esbranquiçado, o sol havia se levantado a pouco e por isso, seus raios ainda não assolavam o acampamento. Aproveitando a reunião informal, Farnel pediu a atenção de todos:

- Meus caros soldados, irmãos de luta, aproveito o momento para agradecer a cada um de vocês, que lutaram com garra e dedicação ao meu lado, saibam que sou grato. Porém, sei que cada um possui uma luta própria, uma cruzada a trilhar e, portanto, estou aqui por dispensar-lhes. Ordeno que cada um siga sua vida, independente, e que conquistem a vitória pessoal de vocês e de vossas famílias.

Os soldados não sabiam o que pensar, mas jamais questionariam uma ordem de Farnel Yuri, um respeitado e idolatrado líder. Acabaram a refeição matinal e cada um tomou seu caminho. Um a um antes de partir passava por Farnel e o reverenciavam, seguido de um forte abraço. Quando o último se foi, Farnel se viu na solidão e agora mais do que nunca, estava tranquilo para pensar no  que ia fazer.

Caminhou até um riacho que serpenteava entre rochas brancas, agachou e bebeu um pouco de agua. Ao pegar a água cristalina em sua mão se assustou com o reflexo impresso sob o espelho da água. Uma linda mulher, passou como uma sombra por trás das pedras, Farnel mal a viu mas pode reparar a incrível beleza dos seus traços. Como um gesto de guerra, Farnel levantou rápidamente e disparou atrás da mulher. Ao chegar ao encontro do alvo, Farnel conseguiu segurá-la pelo braço e imediatamente pediu para que não tivesse medo. Após recuperar o folego, Farnel iniciou o diálogo:

- Senhorita, desculpe-me o mal jeito, mas gostaria de lhe conhecer. Não pude permitir que tamanha beleza fugisse do meu alcance. Qual é o seu nome?

A senhoria, já mais calma, aparentava aproximadamente 25 anos, portava roupas brancas, com uma saia até o joelho e mangas curtas. Seu corpo moreno, cabelos pretos, anelados e olhos verdes, mais claros que a água, após demonstrar um sorriso e uma certa simpatia aceitou o dialogo.

- Qual o seu nome ? Por que me seguiu ? Perguntou a senhorita, ainda meio sem folego.
- Meu nome é Farnel Yuri, e como já disse, lhe segui pois me apaixonei por sua beleza e agora, gostaria de me apoixonar pela sua pessoa, retrucou Farnel.
- Meu nome é Sarah.
- Sarah, podemos caminhar um pouco juntos ?

E Sarah aceintando a proposta se alinhou ao lado de Farnel e foram andando rio abaixo. Ambos se conheciam através do diálogo que interessava a ambos. Era um lindo dia, que combinava com a conversa agradável e o sorriso sincero. Foram muitas horas de conversas. Quando se assustaram o dia já estava acabando e a noite começava a surgir. Farnel através do diálogo descobriu que Sarah era nômade, seus familiares não tinham uma moradia fixa, e como Farnel também não tinha mais a sua terra, pediu para que acompanhasse Sarah para o acampamento de sua família. Sarah abalada com a história de Farnel, assentiu imediatamente.

Era um acampamento bem estruturado, haviam em torno de 30 famílias, cada um detinha uma barraca. Ao chegarem ao acampamento já estava escuro e pode-se perceber as tochas demarcando a área das barracas. Sarah correu para sua família e apresentou Farnel a todos. Como gesto de boa receptividade foi oferecido um jantar a Farnel, onde ele pode explicar toda a sua história para os familiares de Sarah.
Após a longa história, Farnel se dirigiu ao pai de Sarah e demonstrou suas intenções com Sarah. Seu pai, a princípio resistente com a rápida e tórrida paixão, pediu a Farnel cautela mas que quem tinha o poder da decisão era Sarah. A jovem senhorita, mostrando uma invejável firmeza, disse a seu pai que acompanharia Farnel. Diante da resposta de Sarah, Farnel tomou a palavra:

- Sarah, obrigado por me aceitar, farei o melhor para lhe servir. Porém, preciso de resolver um problema, e você sabe qual é.

Dito isso, uma só imagem surgiu na mente de Farnel, a imagem da conclamação de Guthô Isnul.

- Mas Farnel, não acha melhor esquecer este assunto? Perguntou Sarah com toda sua sensatez feminia.
- Não, minha querida Sarah. Dê-me dois dias, resolverei o assunto e venho lhe buscar para sermos felizes.

Sarah aceitou, mas já temia pelos fatos que aconteceria nestes próximos dois dias. O jantar findou e todos se recolheram aos simples, mas confortáveis aposentos. A exceção foi Farnel, que ficou próximo a fogueira já fazendo os planos para a vingança. Estava iniciada a vingança sobre Guthô.

Farnel não queria causar mais nenhuma morte além da morte de Guthô, criou um plano audacioso, certeiro. Findada a elaboração do plano, Farnel usou o resto da noite para descansar, pois ao amanhecer, colocaria em prática seu plano. Mal sabia Guthô que a partir daquele momento, seu destino estava traçado. 

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