sábado, 8 de janeiro de 2011

Mistério na Amazônia

- Obrigado, disse Marcelo a atendente do balcão.

Ansiosamente tomou o caminho do estacionamento do shopping, pegou o carro e foi para casa com o pacote de fotos de sua última viagem, cujo destino havia sido a Floresta Amazônica. Ao chegar em casa, Letícia terminara de preparar o jantar e já o havia colocado na mesa, mas ao ver Marcelo com as fotos na mão, abandonou a mesa e foi ao encontro de Marcelo, ansiosa para ver as fotos.

- Ei, posso ver as fotos ? disse Letícia sorrindo e praticamente tomando-as das mãos de Marcelo
- Claro, respondeu Marcelo já sem o que fazer.

Era um pacote com aproximadamente cem fotos, Letícia começou a olhar uma a uma e enquanto isso Marcelo sentou a mesa e começou a jantar. Após alguns minutos Letícia fixou o olhar em uma foto específica e chamou Marcelo com a voz meio que trêmula:

- Marcelo, venha aqui, tem algo estranho nessa foto.
- Vou acabar de comer primeiro, estou faminto! Disse Marcelo.

Letícia não se conteve e foi até a mesa segurando apenas uma foto na mão, ao mostrar a Marcelo, este imediatamente paralisou, segurando o garfo cheio no ar.

- O que é isso na foto ? Será que é alguma mancha ? Perguntou Letícia.
- Só pode.

Marcelo tomou a foto da mão de Letícia e passou a analisá-la detalhadamente. Provavelmente não era uma mancha, era real. Na foto estavam Marcelo, Letícia, um bonito lago, uma grande árvore e em um de seus galhos, um pequeno ser-humano, parecendo um anão ou, mais precisamente, um gnomo. Esse pequeno ser, tinha um bigode e barba branca, um chapeu em forma de cone vermelho, cinto marrom, calça vermelha e uma blusa azul. Marcelo não acabou seu jantar, imediatamente levantou e chamou Letícia para irem a casa de uma de suas tias, que se chamava Elisa.

Elisa era esotérica e estudava esses fenômenos. O casal foi recebido como sempre, de maneira receptiva! Marcelo com a foto na mão nem a cumprimentou direito e já foi mostrando a foto. Elisa pegou a foto nas mãos mas não enchergou nada, somente os dois na foto juntamente com a paisagem e prontamente explicou que não é todos que conseguem visualizar o que eles diziam haver na foto, mas que acreditava neles e completou:

- Esse tipo de fenômeno é específico, acontece somente com algumas pessoas, mas não se preocupem com isso, não fará nenhum mal a vocês.

O casal tomou um chá e voltou para casa, Marcelo imediatamente foi para o quarto e começou a arrumar uma mochila. Estava decidido a decifrar o mistério e por isso, queria voltar no local onde a foto foi tirada. Letícia também fez o mesmo, iria acompanhar Marcelo nessa jornada. Ambos ligaram para seus chefes na empresa e inventaram uma desculpa que precisariam ficar a semana fora e imediatamente rumaram para o aeroporto.

- Duas passagens para Manaus, por favor. Disse Marcelo a atendente da companhia aérea.
- Aqui está senhor. Como vai pagar ?
- Cartão de crédito.

O voo sairia em duas horas, foi tempo suficiente para Marcelo acabar seu jantar. Embarcaram rumo a Manaus e em algumas horas já estariam descendo no meio da Floresta Amazônica.
Ao chegar em Manaus, foram ao centro procurar alguma hospedagem. Encontraram um hotel barato, mas limpo, e resolveram ficar. Marcelo contatou o guia da sua expedição anterior e pediu para que retornassem ao lugar onde tiraram a fotografia, pedido esse que foi atendido prontamente. Era cedo, haviam dormido no avião e estavam pronto para a jornada. Marcelo e Letícia deixaram a bagagem no quarto, arrumaram uma mochila, incluindo uma barraca e sairam ao encontro do guia. Gastariam aproximadamente 2 horas de barco até o local da fotografia.

Marcelo e Letícia entraram no barco, acompanhados pelo guia, e começaram a jornada. A paisagem era vislumbrante! A cidade de Manaus ia ficando pra trás e a floresta ia crescendo. Em poucos minutos só se via mata de ambos os lados do rio. Com a bela paisagem, o tempo passou rapidamente. Em uma hora e meia chegaram ao destino, o guia foi o primeiro a descer do barco para proceder com a amarração, feito isso, Marcelo e Letícia desceram. Andaram no meio da mata por quarenta e cinco minutos e chegaram ao lago.
No local, tudo se encontrava da mesma maneira. Marcelo tirou a foto do bolso e enquadrou a mesma paisagem sob seus olhos, porém, sem aquele intrigante ser vivo.

O guia perguntou a Marcelo por quanto tempo ficariam ali, a resposta foi imprecisa, mas que pelo menos vinte e quatro horas ficariam por ali. Diante da resposta o guia resolveu deixá-los e voltar para a margem do rio e informou que esperaria por eles lá, que seria mais seguro. Marcelo montou a barraca e Letícia já começava a procurar algo de diferente. Resolveram utilizar novamente a camera e ao tirar uma nova foto, Marcelo observou o mesmo intrigante ser sob seus olhos. Sem dúvida era um gnomo. Sem fazer movimentos bruscos, Marcelo tentou se aproximar, o pequeno ser humano o olhava diretamente nos olhos e Letícia estava paralisada.

Marcelo tentou o primeiro contato:

- Olá, você me escuta? Me entende?
- Claro que te escuto, respondeu o gnomo. O que vocês fazem aqui ?
- Viemos pra conhecer a floresta, tiramos algumas fotos e vimos você! Por isso resolvemos voltar.Respondeu Marcelo.
- Interessante, bom, meu nome é Rito, sou um gnomo e vivo aqui na floresta. Querem conhecer um pouco mais da floresta ?
- Sim, sim, respondeu Letícia entrando na conversa.

Imediatamente, Rito levantou a mão e pediu para que Marcelo e Letícia o tocassem, ao fazerem isso, começaram a levitar e foram entrando na mata. Rito desviava o grupo das grandes árvores. Alcançaram um aldeia e Rito orientou:

- Novos amigos, essa é minha aldeia, vivem aqui aproximadamente quinhentos gnomos como eu. Mas como devem saber, não são todos que conseguem nos enxergar! Por algum motivo, vocês nos enxergam.
Suavemente Rito desceu com Marcelo e Letícia, imediatamente vários gnomos os cercaram e em alguns minutos, o que parecia ser o líder da aldeia o abordaram.
- Bem vindos Marcelo e Letícia, já esperava por vocês.
Marcelo e Letícia se olharam, espantados. O líder continuou.

- Não se espantem, a vinda de vocês aqui não foi casual. Precisamos de ajuda com um assunto.
Imediatamente o líder levantou a mão direita, virou a palma para cima e surgiu uma elípse de energia, azulada e imagens começaram a ser projetadas. Marcelo conseguiu visualizar tratores derrubando árvores, rios sendo poluídos e fumaça sendo jogada no ar.
- Como podem ver, nossa aldeia está correndo perigo, precisamos de vocês. Disse o líder.
- Como podemos ajudar, respondeu Letícia sensibilizada.
- Os tratores estão próximos demais a nossa aldeia, precisamos que resolvam essa situação para nos ajudar. Arrematou o líder.

Marcelo olhou para Letícia e resolveram ajudar. Rito, identificando a disposição dos dois, se aproximou e disse que os levariam as máquinas. Novamente os tocou e começaram a levitação novamente, agora em direção as máquinas. A flutuação era muito rápida e chegaram ao destino em poucos minutos. Rito se despediu e voltou para dentro da mata. Marcelo dialogou com Letícia:

- Ótimo, e agora? O que faremos ?
- Vamos seguir em direção aos tratores e vamos conversar com as pessoas, respondeu Letícia.

Em poucos instantes, o casal se encontrava próximo a um trator. Fizeram sinal e o tratorista desligou a máquina, foram conversar.

- Por que estão desmatando essa área? Perguntou Marcelo.
- Quem são vocês? São nativistas? Respondeu o tratorista.
- Vocês não podem desmatar mais, parem o que estão fazendo! Marcelo completou.

O tratorista ironicamente sorriu, disse que ia pensar no assunto, subiu novamente no trator e continuou a operar normalmente. Letícia não se conteve, pegou uma pedra e atirou no trator. Diante da violência, o tratorista se comunicou pelo rádio e um jipe rapidamente chegou na direção de Marcelo e Letícia. O motorista saiu do jipe, armado e mandou com que os dois entrassem no jipe, ordem aceita sem questionamentos.

- Vamos tirar vocês dois daqui, disse o motorista.
- Não queremos, vocês precisam parar o desmatamento, disse Letícia.

O motorista sem dar ouvidos deu meia volta no jipe e acelerou. Marcelo indignado deu uma cotovelada no motorista. Quando o motorista foi reagir, a arma caiu no assoalho do veículo. Marcelo o segurava fortemente e pediu que Letícia pegasse a arma. Tremendo Letícia pegou o revólver e apontou na direção do motorista, ordenando que parasse e descesse do veículo. Ao descer, Marcelo empurrou o motorista para longe do jipe com os pés e acelerou o jipe voltando ao campo desmatado. Se colocaram a frente do trator. Marcelo pegou a arma e desceu ao encontro do tratorista. Marcelo ordenou que o tratorista abandonasse o trator e fosse embora. Ameaçado, o tratorista foi embora correndo!

- Ótimo, agora temos um trator. Ironizou Marcelo.
- O que faremos com isso ? Perguntou Letícia.
- Sei lá, vamos deixá-lo aí.

Marcelo e Letícia resolveram voltar para mata, ao se aproximarem viram vários olhos surgindo na mata, eram os Gnomos, vários deles. Começaram a sair da mata, correndo em direção ao trator, vários tinham ferramentas nas mãos. Marcelo e Letícia não acreditavam no que viam. Os gnomos foram desmontar o trator, peça a peça. Em minutos haviam gnomos em todas as partes do trator, uma fila foi formada e nessa fila iam passando as peças já soltas do trator. Pareciam formigas trabalhando. Em poucos minutos o trator já estava todo desmontado, as peças espalhadas no chão e todos agoram se dedicavam a transportar. Uma segunda fila foi montada e em 40 minutos já não havia nem mesmo um parafuso no campo, sumiram com tudo, assim como os gnomos. Rito veio ao encontro de Marcelo e Letícia, ambos impressionados.

- Não se impressionem, isso acontece todo dia. Disse Rito sorrindo.
- Mas ... mas .... Marcelo não conseguia falar.
- E quanto aos outros tratores? Perguntou Letícia.
- Cuidaremos de cada um deles, mas cada um a seu tempo. Agradecemos a ajuda de vocês, agora existe menos um trator para derrubar nossa árvores. Afirmou Rito.

Rito tocou Marcelo e Letícia, novamente, começaram a levitar. Em instantes Marcelo, Letícia e Rito estavam de volta ao local da foto, Rito se despediu e voltou a mata. Estava entardecendo, Marcelo e Letícia ficaram sem ação e em um gesto inconsciente optaram por voltar a margem do rio. Desmontaram o acampamento e andaram por entre as trilhas. Ao chegarem na margem do rio encontrarm o guia dormindo no barco, o acordaram e pediram pra voltar a Manaus. O guia estranhou mas não questionou, isso já havia acontecido com outros turistas. Durante a viagem de volta, Marcelo pegou a foto que os motivou a voltarem para a floresta, ficou mais impressionado ao ver que Rito não era mais visto na foto. Marcelo agradeceu ao chegarem em Manaus, Letícia ainda estava sem palavras. Foram ao hotel, pegaram suas malas e voltaram para sua cidade e sua vida normal.

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